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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Hugo Cabret e a mecânica dos sonhos de Scorsese


Nesta sexta-feira, dia 17/02, estreia o filme que lidera as indicações ao Oscar 2012: A invenção de Hugo Cabret (Hugo, 2011). O mais recente trabalho de Martin Scorsese - um dos maiores diretores vivos dos E.U.A. - surpreende justamente por aquilo que não faz questão de explicitar em sua publicidade.

Narrado como um conto de fadas, tendo a Paris da primeira metade do século XX como cenário, acompanhamos a jornada de Hugo Cabret, um órfão responsável clandestinamente pela manutenção dos gigantescos relógios de uma estação de trem. Filho de um relojoeiro que o havia mostrado, antes de morrer, um misterioso autômato com defeito, Hugo parte em busca de respostas para os mistérios guardados pelo estranho robô.

O que vem a seguir é uma surpreendente viagem pelos processos e os efeitos da mecânica de sonhos do cinema, capitaneada pelas lentes de Scorsese, que pela primeira vez utiliza - nada gratuitamente - o recurso 3D. A experiência de cada um seria diminuída caso contássemos algo a mais. Todos aqueles que se interessam por pensar as relações entre o cinema, o universo das artes e do espetáculo com a ciência e a cultura, devem no mínimo se interessar bastante pelo filme - se não saírem maravilhados.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Caminhos virtuais para o cinema poético de Tarkovsky


No Ciência em Foco, já foram exibidos até hoje dois filmes do cineasta soviético Andrei Tarkovsky: Solaris (1972), comentado por Braulio Tavares, e Stalker (1979), por Octavio Aragão. Ambos renderam experiências inesquecíveis aos participantes, além de discussões em torno dos limites do conhecimento, das fronteiras da razão e do papel da arte no questionamento da ideia de progresso.

Para quem tem interesse em rever estes, ou conhecer outros de seus filmes, o professor Henrique Antoun (nosso convidado de maio de 2011) repassou uma dica, em seu Twitter, @antounh, do site Open Culture, que disponibiliza links para se assistir gratuitamente, na web, os filmes do diretor.

Reverenciado por outros grandes cineastas, Tarkovsky foi um mestre em capturar nas imagens a poesia que as atravessava, trazendo-nos a esperança de que a arte talvez apareça como o melhor meio de se lidar com o fato de não haver, em nosso mundo desencantado, respostas definitivas aos mistérios que nos cercam. Se a ciência almeja respostas e verdades, seus filmes nos ajudam a colocá-las em perspectiva, privilegiando os afetos em jogo na vida e na experiência artística, capazes de resguardar o mistério do mundo.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Confrontando o limite com Aronofsky

Lembram-se da programação do Ciência em Foco de agosto do ano passado? Exibimos o filme Pi (1998), de Darren Aronofsky, seguido da fala do poeta e professor do Instituto de Matemática da UFRJ, Ricardo Kubrusly. Estreou nesta última sexta-feira nos cinemas o último filme do diretor, Cisne negro (Black swan - E.U.A., 2010), que rendeu o Globo de Ouro de Melhor Atriz para Natalie Portman, e já conta com 5 indicações ao Oscar (nas categorias de Atriz, Fotografia, Edição, Direção e Filme).

Nesta sua mais recente produção, Aronofsky mostra o conflito interior de uma dançarina de uma companhia de ballet que se prepara para lançar uma versão de O lago dos cisnes, de Tchaikovsky. Algumas questões que Aronofsky já havia tratado em Pi são revisitadas nesta sua mais recente produção, na qual o diretor nos apresenta, de outra maneira, um conflito que nasce do embate com um certo limite com o qual o protagonista é confrontado.

Em Pi, tínhamos um matemático, Max Cohen, obcecado em buscar padrões que seriam capazes de explicar o mundo. No entanto, ao longo das tentativas de transcender os limites do corpo e do sensível, ele sentia fortes enxaquecas e tinha alucinações constantes, de modo que passávamos a confundir, em determinado momento, o que era real e o que era ilusão, partilhando dos delírios de Max. Em Cisne negro, a dançarina Nina tem dificuldade em interpretar o personagem título - que é a antítese do cisne branco, o papel que ela domina e no qual se destaca -, e se lança em uma espiral de situações-limite que nos faz recordar a trajetória de Max.

Se você se interessou por Pi, pelo estilo do cineasta e pelas questões que percorrem sua obra, não deixe de conferir Cisne negro nos cinemas e, quem sabe, caso ainda não tenha assistido, conferir também os outros filmes do diretor, como Réquiem para um sonho (Requiem for a dream, 2000), A fonte da vida (The fountain, 2006) e também O lutador (The wrestler, 2008), que muitos consideram uma variação bastante próxima da história e do tema desta sua última produção.