Clique abaixo para ouvir a palestra O olhar embarcado - tendências de documentarismo ficcional no cinema de guerra atual (71min.). Ou baixe aqui o arquivo zipado (67MB).
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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Ambiguidades da imagem
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terça-feira, 6 de setembro de 2011
Embarcados na guerra das imagens (e do real)
No mês em que se rememoram os acontecimentos de 11 de setembro de 2001 nos E.U.A., com imagens de diversos ângulos e variadas fontes, que registraram o atentado há dez anos, inundando a mídia, o Ciência em Foco trouxe uma discussão em torno da atual condição das imagens, enfocando a tensão entre os aspectos documentais e ficcionais que a atravessam. Quem conversou com o público após a exibição de Guerra sem cortes (Redacted, 2007), de Brian de Palma, foi o professor do Departamento de Letras da PUC-Rio, Karl Erik Schollhammer, com a palestra O olhar embarcado: tendências de documentarismo ficcional no cinema de guerra atual. Embora o filme tenha obtido reconhecimento por parte da crítica europeia, e também premiado no Festival de Veneza, Karl Erik comentou a pouquíssima repercussão que teve nos E.U.A., sofrendo até mesmo ataques devido às opiniões correntes da época, quando muitos eram favoráveis à guerra no Iraque.
Embora relacionado ao cinema de guerra, Brian de Palma vai além da reflexão em torno de um gênero específico de filmes, como fez em grande parte de sua obra. O diferencial deste filme - e também sua audácia - tem a ver com o modo com que se aproxima de fatos reais. Seu filme aborda a guerra não apenas como uma questão militar e política, mas como uma questão de imagens, de linguagens envolvidas na própria maneira de dar realidade à guerra. De Palma faz isso quando encena e costura uma série de fontes correspondentes a linguagens diversas - supostamente documentais -, respeitando o estilo de cada uma, como os vídeos de soldados, vídeos da internet e de câmeras de vigilância, dentre outros. Deste modo, ele incorpora linguagens que traduzem uma sociedade cada vez mais sob vigilância constante, embora sempre se refletindo e se recriando em meio às imagens digitais. Ao encenar o documentarismo, De Palma traça uma alternativa para um caminho tradicionalmente delimitado por duas grandes formas de cinema: o ficcional e o documentário. Ele não apenas procura mostrar e discutir os fatos, mas chamar atenção para a própria maneira com que se contam as histórias sobre os fatos.
Karl Erik salientou o percurso de proximidade entre o desenvolvimento da guerra e do cinema, aliado à importância política de se representar versões dos conflitos por meio das imagens. No caso de De Palma, a atenção se volta para o diálogo que as versões oficiais dos fatos estabelecem com as versões informais da comunicação digital, mostrando-nos como as fronteiras entre ficção e realidade se complexificam, às vezes de forma perturbadora. A partir de um contraponto com dois documentários de guerra recentes - Armadillo (2010) e Restrepo (2010) -, que também se valem da mídia informal, Karl Erik definiu o que chamou de um olhar embarcado. Estaria colocada uma questão em torno da ambiguidade da mídia informal: o desejo de criar as imagens pode se mostrar intenso o suficiente a ponto de levar ao envolvimento nos atos criminosos.
Nestes filmes, assim como em Guerra sem cortes, não há um compromisso com um relato objetivo acerca de um fato, ou uma regra que viria de fora dos acontecimentos mostrados. A visão é interior ao próprio movimento no qual o olhar se insere, de modo que a verdade está sempre em questão, negociada por interesses específicos. É o que Karl Erik chamou de uma visão ontológica. O olhar exterior, objetivo, tradicionalmente associado ao documentarismo, dá lugar a este novo tipo de visão, não separada do próprio contexto em que se vê. No lugar de uma visão distanciada, a que ele chama de epistemológica, este olhar embarcado não exclui o envolvimento corporal, afetivo e emocional nos acontecimentos, levando além dos limites a razão e contestando a capacidade de julgamento de seus personagens e espectadores. De Palma lança o cinema - e todos nós - neste movimento indecidível entre o ficcional e o verdadeiro, pensando como a própria ficção atua como criadora de realidade.
Estas questões estarão de algum modo também presentes em nossa próxima sessão, que acontece no dia 1º de outubro, quando procuraremos pensar sobre os processos envolvidos no estabelecimento de verdades científicas, discutindo sua suposta neutralidade e seu destacamento dos contextos e interesses da sociedade. Exibiremos o filme Obrigado por fumar (Thank you for smoking, 2005), de Jason Reitman, seguido da palestra "Alegar que cigarros não viciam requer provas". Como convidado do mês, teremos a alegria de contar com o professor do NCE e do HCTE da UFRJ, Ivan da Costa Marques, doutor em Ciência da Computação pela Berkeley, University of California, pós-doutor pela New School for Social Research, New York. Ivan também é fundador do grupo de pesquisa NECSO - Núcleo de Estudos de Ciência & Tecnologia e Sociedade, e atual vice-presidente da Sociedade Brasileira de História da Ciência (SBHC).
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sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Última chamada para a batalha
Curte filmes de guerra? Filmes de documentários de guerra? De documentarismos ficcionais de guerra? Curte pensar tudo isso, numa tarde de sábado, depois de assitir a Guerra sem cortes, na companhia do doutor em Semiótica Karl Schollhammer e junto com um auditório cheio de gente que adora cinema, ciência e arte? Pense bem ou nem pense muito: venha pra cá!
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segunda-feira, 29 de agosto de 2011
As fronteiras da imagem
"A guerra acontece também nas imagens e a fronteira entre realidade e ficção é uma das trincheiras desse conflito", Karl Erik Schollhammer, doutor em Semiótica pela Aarhus Universitet, Dinamarca, professor do Departamento de Letras da PUC-Rio, autor dos livros Além do visível e Linguagens da violência, e palestrante do Ciência em Foco de 3 de setembro.
1) Conte-nos um pouco da história de sua relação com as imagens e o cinema.
Trabalho com as interfaces entre a literatura e as outras artes e o cinema tem sido um elemento importante, porém não exclusivo nessa abordagem. Escrevi algumas coisas sobre esse diálogo; por exemplo, no livro Além do Visível - o olhar da literatura.
Trabalho com as interfaces entre a literatura e as outras artes e o cinema tem sido um elemento importante, porém não exclusivo nessa abordagem. Escrevi algumas coisas sobre esse diálogo; por exemplo, no livro Além do Visível - o olhar da literatura.
2) Brian de Palma realizou, com Guerra sem cortes, um filme de ficção que se utiliza da aparência de imagens indiretas, como telejornais, vídeos da internet e filmagens dos próprios soldados. Tendo em vista que ele se baseou em fatos reais, como pensar sua escolha por inserir este aspecto documental à ficção?
O filme aborda um caso particular de crime de guerra; mais importante é sua reflexão sobre a maneira que vivemos a guerra através da mídia e das tecnologias visuais de documentação e comunicação de seus próprios protagonistas. A guerra acontece também nas imagens e a fronteira entre realidade e ficção é uma das trincheiras desse conflito.
3) A proliferação de reality shows e vídeos caseiros na rede documentando passagens do cotidiano dos indivíduos, entre outros fenômenos comunicacionais contemporâneos, tem colocado em discussão a fascinação de nossa época com a produção de imagens 'autênticas' e posto em xeque as fronteiras rígidas entre encenação e real. De que forma Guerra sem cortes dialoga com essa autenticidade performática ou realidade dramatizada de nosso
tempo?
O filme aborda um caso particular de crime de guerra; mais importante é sua reflexão sobre a maneira que vivemos a guerra através da mídia e das tecnologias visuais de documentação e comunicação de seus próprios protagonistas. A guerra acontece também nas imagens e a fronteira entre realidade e ficção é uma das trincheiras desse conflito.
3) A proliferação de reality shows e vídeos caseiros na rede documentando passagens do cotidiano dos indivíduos, entre outros fenômenos comunicacionais contemporâneos, tem colocado em discussão a fascinação de nossa época com a produção de imagens 'autênticas' e posto em xeque as fronteiras rígidas entre encenação e real. De que forma Guerra sem cortes dialoga com essa autenticidade performática ou realidade dramatizada de nosso
tempo? Existe uma tendência nos documentários de guerra recente de se apropriar dessa proximidade dos reality shows e Brian de Palma procura mostrar como a mediação tecnológica da experiência de guerra, ou seja, da experiência extrema de conflito e violência, interfere diretamente nos próprios acontecimentos.
4) Os atos violentos mostrados no filme, desencadeados por soldados estadunidenses e situados no cenário dos recentes conflitos do Iraque, foram omitidos da mídia por algum tempo. De Palma traz a público, por meio da arte, uma encenação de fatos reais que teriam sido censurados. Hoje em dia, já se disseminaram imagens reais de torturas e assassinatos nestes conflitos, cuja crueza e verdade não cessam de chocar o mundo. Como podemos pensar a importância da representação da violência diante da atual condição proliferante das imagens?
Uma das justificativas da defesa dos acusados no caso de Abu-Graib era a de que as fotografias das torturas foram encenadas para mostrar aos presos, com a finalidade de assustar e intimidar sem precisar da violência explícita. Assim, a fronteira entre realidade e encenação, entre violência representada ou representação violenta, tornou-se inexistente e se evidenciou seu papel direto na guerra das imagens.
5) Sendo sua área de atuação a teoria da literatura e a literatura comparada, de que modo poderíamos pensar as fronteiras de sua produção contemporânea com o cinema, diante da atual cultura da imagem? A partir de sua incorporação em Guerra sem cortes, comente a respeito das novas tecnologias digitais, que produzem a todo momento imagens do mundo, assim como sobre os desafios éticos e estéticos que elas impõem.
A tecnologia digital possibilita uma nova dimensão de registro e representação dos focos de conflito e de guerra no mundo globalizado, não só em imagens mas também em relatos testemunhais e escritos realizados como parte dessa experiência. Assim, surge uma variação de novas formas representativas, cujo impacto sobre a literatura e os novos formatos documentais de vídeo e filmes ainda não conhecemos plenamente. É esse o impacto que me interessa: procuro entender como modifica nossa noção do que é real.
Quem quiser conversar com Karl, escreva para: karlerik@puc-rio.br
Uma das justificativas da defesa dos acusados no caso de Abu-Graib era a de que as fotografias das torturas foram encenadas para mostrar aos presos, com a finalidade de assustar e intimidar sem precisar da violência explícita. Assim, a fronteira entre realidade e encenação, entre violência representada ou representação violenta, tornou-se inexistente e se evidenciou seu papel direto na guerra das imagens.
5) Sendo sua área de atuação a teoria da literatura e a literatura comparada, de que modo poderíamos pensar as fronteiras de sua produção contemporânea com o cinema, diante da atual cultura da imagem? A partir de sua incorporação em Guerra sem cortes, comente a respeito das novas tecnologias digitais, que produzem a todo momento imagens do mundo, assim como sobre os desafios éticos e estéticos que elas impõem.
A tecnologia digital possibilita uma nova dimensão de registro e representação dos focos de conflito e de guerra no mundo globalizado, não só em imagens mas também em relatos testemunhais e escritos realizados como parte dessa experiência. Assim, surge uma variação de novas formas representativas, cujo impacto sobre a literatura e os novos formatos documentais de vídeo e filmes ainda não conhecemos plenamente. É esse o impacto que me interessa: procuro entender como modifica nossa noção do que é real.
Quem quiser conversar com Karl, escreva para: karlerik@puc-rio.br
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quinta-feira, 18 de agosto de 2011
A vida invade as telas
Quase real, não fosse ficção. Quase ficção, não fosse real. Guerra sem cortes, de Brian de Palma, é a atração de 3 de setembro do cineclube Ciência em Foco. Inspirado no assassinato de uma menina iraquiana de 14 anos por quatro soldados norte-americanos, cria-se uma montagem ficcional de filmagens aparentemente documentais. O conflito entre a ambição de manter um olhar independente e exterior aos fatos e o desejo de participar nas condições reais dos personagens soldados não se resolve. A exibição será seguida da palestra “O olhar embarcado - tendências de documentarismo ficcional no cinema de guerra atual”, com o doutor em semiótica Karl Erik Schollhammer. Venha pra cá!
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