sexta-feira, 19 de setembro de 2014

A memória e a potência presente das imagens



No sábado, dia 6 de setembro, o Ciência em Foco exibiu a obra-prima de Eduardo Coutinho, Cabra marcado para morrer (1984), que completa 30 anos de lançamento em 2014. Para debater com o público, tivemos a honra de contar com a presença de César Guimarães, professor do Departamento de Comunicação Social da UFMG, que aceitou o desafio e fez uma emocionante leitura do filme, a partir da conexão de reflexões filosóficas acerca da história que partiram de uma conversa com o próprio Coutinho, dialogando com as elaborações conceituais de Walter Benjamin.

César propôs uma conversa com outras leituras e textos já escritos sobre o filme, ensaiando uma nova abordagem. Sua aposta é a de que o filme apresenta uma maneira peculiar de se relacionar com o material histórico do qual se vale, caracterizado pela forma de mostrar o irreparável das vidas dilaceradas pela experiência histórica da violência e da repressão do regime militar. Quando o filme se volta para o resgate de elementos do passado, ele não estaria apenas preocupado em efetuar uma reparação com relação às injustiças que outrora aconteceram, preenchendo o vazio da História: a propriedade criativa da montagem e os recursos que o cinema oferece produziriam também um embate para todos que o assistem no presente, tornando visível este vazio e implicando o espectador na experiência histórica que o filme evoca. Uma sessão memorável, que fez vibrar no presente a potência das imagens ligadas à memória de Eduardo Coutinho.

Nossa próxima sessão acontecerá no dia 4 de outubro, sábado anterior ao dia das eleições no Brasil. Exibiremos o filme O vento será tua herança (Inherit the wind - E.U.A., 1960), clássico de Stanley Kramer.  Teremos a honra e a alegria de contar, como convidada do mês, com Valéria Wilke, professora do Departamento de Filosofia e Ciências Sociais da UNIRIO, que ministrará a palestra Vários rounds... e o ringue segue armado. Programem-se e divulguem! Até lá!



segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Videocast - Você não conhece Jack / Rachel Aisengart Menezes

Já está no ar mais um videocast do Ciência em Foco. Agora todos podem conferir a palestra que aconteceu após a exibição do filme Você não conhece Jack, de Barry Levinson, na sessão de dezembro de 2013, que contou com a participação de Rachel Aisengart Menezes, médica e professora do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva da UFRJ (IESC/UFRJ). Ela apresentou a palestra Autonomia individual e gestão do morrer na contemporaneidade.

Na palestra, Rachel mobiliza questões éticas e políticas ligadas às novas tecnologias e a autoridade do saber médico. Além de trazer reflexões sobre a ideia moderna de morte e os cuidados paliativos no final da vida, a palestra nos convida a pensar sobre as relações saúde/doença, ciência/sociedade, assim como sobre as redefinições das noções de vida e identidade. Aproveitem!

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

A eloquência da morte entre os vivos

 

Ciência em Foco apresenta em setembro o filme Cabra marcado Para morrer (Brasil, 1984), de Eduardo Coutinho, seguido de uma conversa com César Guimarães, Doutor em Estudos Literários pela UFMG, professor do Departamento de Comunicação Social e integrante do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da FAFICH-UFMG.

O tema do debate, A experiência histórica e o Irreparável, proposto por Guimarães, ganha ressonância na vibrante narrativa do filme, que dedica atenção especial à violência que se abateu sobre os camponeses nordestinos e sua luta política, a partir da constituição da Ligas Camponesas, em fins da década de 1950 e início dos anos 60.

Rompe-se, porém, as fronteiras entre a filmagem documental e ficcional, uma vez que imagens realizadas por Coutinho para o projeto de um filme sobre a vida e morte do líder camponês João Pedro Teixeira, assassinado em 1962, são interrompidas pelo Golpe de 1964. Boa parte da equipe é presa e o material filmado é apreendido pelas forças policiais. Somente 17 anos depois, Coutinho retoma o projeto, agora usando a projeção de imagens sobreviventes daquela ficção elaborada em 1964, e as atualiza historicamente com o depoimento dos próprios personagens que viveram de perto a supressão de suas liberdades de organização e manifestação política e cultural.

Como afirma o professor da UFMG, “o filme confronta o irreparável das vidas (que sobrevivem em imagens e sons) às forças políticas que procuraram destruí-las a todo custo”. Ganhador de inúmeros prêmios, Cabra marcado para morrer é, sem dúvida, a obra-prima de um dos maiores documentaristas brasileiros.

Com entrada franca, esta apresentação no Ciência em Foco dialoga com a Mostra Eduardo Coutinho, na exposição “De Olho na Rua”, que permanece na Casa da Ciência até o dia 28 de setembro de 2014. (Mais detalhes sobre a exposição aqui.)