terça-feira, 22 de julho de 2014

Atenção, perigo, trabalho: a emancipação pelo ócio


O trabalho dignifica o homem!?  No filme “Attention Danger Travail,”  (França, 2003), de Pierre Carles, Christophe Coello e Stéphane Goxe, esta máxima da moral liberal é posta em questão. Inaugurando as atividades neste 2º semestre, Ciência em Foco promove no dia 2 de agosto, após a sessão, o debate Direito à preguiça, recusa do trabalho, com Tatiana Roque, Doutora em História e Filosofia da Ciência, professora do Instituto de Matemática da UFRJ.
 
O registro de vários depoimentos e cenas alusivas ao mundo do trabalho, encadeados por um roteiro costurado com argúcia e fina ironia, apresenta uma subterrânea resistência que se espalha pela França aos modelos de progresso e também às formas de produção e consumo no sistema capitalista.
 
Segundo a professora Tatiana Roque, a recusa deliberada ao trabalho engendra uma leitura distinta daquela oferecida pelas tradicionais lutas por reivindicações trabalhistas, amparadas pelas concepções dominantes na esquerda. Trata-se da ideia de rechaçar os papéis que nos são atribuídos e que nos transformam em consumidores e agentes do capitalismo.
 
O filme, de acordo Tatiana, nos sugere “o desafio de criar comportamentos de recusa do trabalho assalariado que permitam interromper o círculo vicioso da produção, da produtividade e dos produtores - no qual estamos todos imersos, trabalhadores ou não.” 
 
Sempre no primeiro sábado de cada mês, Ciência em Foco exibe um filme seguido de debate. O objetivo é estimular a produção e circulação de novas ideias. A entrada é franca.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Os corpos performáticos da atualidade



No primeiro sábado de junho, o Ciência em Foco recebeu a professora da Escola de Comunicação da UFRJ, Ieda Tucherman, que participou do cineclube pela segunda vez. Ela já havia colaborado conosco há cinco anos atrás, e sua participação resultou em um dos capítulos do nosso segundo livro. Desta vez, Ieda nos ofereceu uma reflexão sobre modos singulares de se perceber o corpo e a sexualidade feminina na época contemporânea, desdobrada da exibição prévia do filme Jovem & Bela (Jeune et jolie), de François Ozon.

Ieda analisou o valor atribuído à juventude e à beleza em momentos específicos da história, passando pelos herois gregos, a contracultura dos anos 60 até chegar nos dias atuais, quando a juventude aparece reapropriada pelo mercado, alinhada ao consumo e à lógica capitalista. Neste cenário de resistência ao envelhecimento, deslocada de sua relação com a contemplação, a beleza pode ser hoje considerada um capital social. Em conjunto com a juventude, ela pauta novas formas efêmeras de relação com o corpo e o desejo.

Em julho, devido ao período da Copa do Mundo, não haverá sessão. Retornaremos em agosto com uma sessão exclusiva do filme Attention Danger Travail (França, 2003), de Pierre Carles, Christophe Coello e Stéphane Goxe. Como convidada do mês, teremos a honra e a alegria de contar novamente com Tatiana Roque, doutora em História e Filosofia da Ciência, professora do Instituto de Matemática da UFRJ. Ela ministrará a palestra Direito à preguiça, recusa do trabalho. Anotem na agenda, divulguem e não percam!






quarta-feira, 28 de maio de 2014

A beleza como mercadoria



O cineclube Ciência em Foco apresenta, na última sessão do semestre, o filme Jovem e Bela (Jeune et jolie - França, 2013), de François Ozon, acompanhado da palestra: “Juventude e beleza: a vida como negócio”, com Ieda Tucherman, professora da Escola de Comunicação da UFRJ.

Autora de vários ensaios e do livro Breve história do corpo e de seus monstros, Ieda promete tocar no ponto nevrálgico do filme: por que a linda Isabelle, protagonista interpretada por Marine Vacth, personagem de família com recursos e sem maiores dramas psíquicos, opta por prostituir-se?

Esta indagação permanece ao longo do filme de Ozon, que foi indicado em 2013 para a Palma de Ouro, em Cannes.

Para a professora Ieda, “o filme propõe um capital centrado no corpo, a partir dos dois valores máximos da atualidade: juventude e beleza. O que nos é apresentado é uma sociedade de mercado e Ozon torna isto evidente não gerando nenhuma causalidade material ou psíquica para a decisão da jovem bela de prostituir-se.”

Se esta falta de propósito pode gerar no espectador certo desassossego, será desta inquietação que surge uma questão básica tratada por Ozon e que será abordada por Ieda Tucherman em sua conversa com o público: “há algum espaço para o afeto nesta sociedade que precifica tudo?”