terça-feira, 14 de abril de 2015

Uma nova leitura da natureza



No primeiro sábado de abril, aconteceu a segunda sessão de 2015 do Ciência em Foco. Exibimos o filme Criação (Creation - Reino Unido, 2009), de Jon Amiel, seguido da palestra Ciência e moral: o caso Darwin, ministrada pelo professor do Departamento de Filosofia da UFF, Fernando José Fagundes Ribeiro. A palestra abordou impasses envolvendo a disputa entre as formas científicas e religiosas de relação com a natureza.

No filme, a figura de Charles Darwin é emblemática pela revolução desencadeada pela escrita de sua obra A origem das espécies, cujo processo de elaboração é mostrado no filme. No entanto, a aposta estética do filme, ao focar sua atenção na criação científica, ajuda a pensar a ciência como uma atividade humana, inseparável dos diversos fatores da cultura e da sociedade. Uma das consequências disto é a recepção da obra de Darwin e os debates que suscita até hoje, servindo para despertar paixões e críticas entre religiosos e cientistas, prolongando uma querela que extravasa os domínios e interesses de cada um de seus campos específicos de atuação.

Aproveitamos a postagem para agradecer novamente pela parceria da APILRJ (Associação de Profissionais Intérpretes de Libras do Estado do Rio de Janeiro). Nossa próxima sessão será no dia 2 de maio de 2015. Exibiremos o cultuado filme O grande Lebowski (The big Lebowski - E.U.A., 1998), dos irmãos Joel e Ethan Coen. Após o filme, o filósofo, professor e coordenador do Ciência em Foco, Gabriel Cid de Garcia, apresentará a palestra Lebowski e nós: o homem sem qualidades e a superação do niilismo. Gabriel Cid é doutor em Literatura Comparada pela UERJ, produtor cultural da UFRJ e professor-tutor de Filosofia na UNIRIO. Fiquem ligados no blog e anotem na agenda. Até breve!

terça-feira, 31 de março de 2015

Darwin quebra o espelho da criação



Até que ponto uma verdade científica pode abalar nossas convicções morais?  Eis o mote da conversa após a sessão do filme Criação (Creation - Reino Unido, 2009), de Jon Amiel, que o professor do departamento de Filosofia da UFF Fernando José Fagundes Ribeiro, convidado do Ciência em Foco, abordará na palestra: Ciência e moral: o caso Darwin.

A apresentação do filme sábado, dia 4 de abril, às 16h, no cineclube da Casa da Ciência da UFRJ, permite refletir sobre o conflito de ideias vivenciado pelo cientista inglês Charles Darwin, em meados do século XIX, no período que antecedeu o lançamento do livro “A origem das espécies”, diante de uma sociedade “puritana”, repleta de dogmas religiosos.

O diretor Jon Amiel acentua esse drama de consciência que exaspera Darwin (representado pelo ator Paul Bettany) em sua vida em família, com sua devota esposa Emma (Jennifer Connelly) e sua filha Annie (Martha West), de apenas 10 anos.  Como observa o professor Fernando Ribeiro: Darwin, “ao postular um tronco comum a partir do qual derivariam as diferenças específicas (a hipótese da evolução), rompeu com a representação ordinária "narcísica" que o homem tem de si e de seu lugar na natureza.” A hipótese criacionista, defendida pela Igreja é questionada e, com ela, a existência de Deus.

Vale destacar que o filme Criação foi baseado no livro Annies’s Box, escrito pelo tataraneto de Darwin, Randal Keynes, ambientalista que integra o conselho diretor da Charles Darwin Foundation e que em 2008 esteve no Brasil participando ativamente do lançamento do projeto “Caminhos de Darwin”, coordenado pela Casa da Ciência da UFRJ.

segunda-feira, 30 de março de 2015

O cinema, o passado e a variação temporal da ficção


No primeiro sábado de março, o Ciência em Foco iniciou os trabalhos da temporada 2015 em grande estilo. Foi exibido o filme Bastardos inglórios, de Quentin Tarantino, seguido da palestra Tarantino e o cinema: a segunda melhor coisa depois de uma máquina do tempo, com o filósofo e professor do Departamento de Direito da PUC-Rio, Maurício Rocha.

Maurício fez um panorama da obra do cineasta descrevendo seu exercício com o espaço da linguagem, seu modo de fazer suspense - aproveitando para afastar alguns clichês associados ao seu cinema -, para enfim abordar o tema do irrepresentável na representação histórica. O filme expressaria uma relação ética do cinema com o holocausto e seus mortos, a partir da ficção, da apresentação "do que poderia ter sido", e da distância que o separa do presente. Deste modo, o filme de Tarantino se afasta de uma reconstituição objetiva e impossível do passado, para dar lugar à leitura crítica do presente por meio da dimensão aberta deixada pelo passado - um esforço que só seria possível a partir do cinema.

Nossa próxima sessão acontece no próximo sábado, dia 4 de abril. Exibiremos o filme Criação (Creation - Reino Unido, 2009), de Jon Amiel. Para conversar com o público após a sessão, teremos a alegria e a honra de receber, como convidado, o professor do Departamento de Filosofia da UFF, Fernando José Fagundes Ribeiro, doutor em Comunicação pela UFRJ. Ele apresentará a palestra Ciência e moral: o caso Darwin. Maiores informações aqui. Anotem na agenda, fiquem ligados no blog e acompanhem-nos nas redes sociais para maiores informações. Até breve!