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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Confrontando o limite com Aronofsky

Lembram-se da programação do Ciência em Foco de agosto do ano passado? Exibimos o filme Pi (1998), de Darren Aronofsky, seguido da fala do poeta e professor do Instituto de Matemática da UFRJ, Ricardo Kubrusly. Estreou nesta última sexta-feira nos cinemas o último filme do diretor, Cisne negro (Black swan - E.U.A., 2010), que rendeu o Globo de Ouro de Melhor Atriz para Natalie Portman, e já conta com 5 indicações ao Oscar (nas categorias de Atriz, Fotografia, Edição, Direção e Filme).

Nesta sua mais recente produção, Aronofsky mostra o conflito interior de uma dançarina de uma companhia de ballet que se prepara para lançar uma versão de O lago dos cisnes, de Tchaikovsky. Algumas questões que Aronofsky já havia tratado em Pi são revisitadas nesta sua mais recente produção, na qual o diretor nos apresenta, de outra maneira, um conflito que nasce do embate com um certo limite com o qual o protagonista é confrontado.

Em Pi, tínhamos um matemático, Max Cohen, obcecado em buscar padrões que seriam capazes de explicar o mundo. No entanto, ao longo das tentativas de transcender os limites do corpo e do sensível, ele sentia fortes enxaquecas e tinha alucinações constantes, de modo que passávamos a confundir, em determinado momento, o que era real e o que era ilusão, partilhando dos delírios de Max. Em Cisne negro, a dançarina Nina tem dificuldade em interpretar o personagem título - que é a antítese do cisne branco, o papel que ela domina e no qual se destaca -, e se lança em uma espiral de situações-limite que nos faz recordar a trajetória de Max.

Se você se interessou por Pi, pelo estilo do cineasta e pelas questões que percorrem sua obra, não deixe de conferir Cisne negro nos cinemas e, quem sabe, caso ainda não tenha assistido, conferir também os outros filmes do diretor, como Réquiem para um sonho (Requiem for a dream, 2000), A fonte da vida (The fountain, 2006) e também O lutador (The wrestler, 2008), que muitos consideram uma variação bastante próxima da história e do tema desta sua última produção.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

As trajetórias inversas de homem e máquina

Após o hiato da Copa do Mundo, o Ciência em Foco recebeu pela primeira vez, na Casa da Ciência da UFRJ, o poeta e matemático Ricardo Kubrusly. Ele já havia participado duas vezes do Ciência em Foco, quando era realizado no Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST/MCT), e propôs uma releitura, exatos quatro anos depois, das suas reflexões sobre o filme Pi (E.U.A., 1998), de Darren Aronofsky.

E que releitura! Kubrusly iniciou sua fala atentando para aquele que seria o verdadeiro protagonista do filme: o computador Euclid, no qual o matemático Max realiza suas pesquisas em busca de respostas que trariam uma explicação total da existência, a partir de padrões no número Pi. Rememorando a história das máquinas e dos computadores, Kubrusly salientou o fato da máquina ser, em sua origem, específica, por possuir apenas uma função, enquanto o homem seria, em oposição, destinado a uma série variada de funções e atividades interditadas às máquinas.

O filme, aproximando-se de nossa época, apresenta uma metáfora do entrecruzamento entre homem e máquina. Humanizada, a máquina adquire até mesmo consciência, enquanto Max, o homem da ciência, especializado ao extremo, tem sua consciência cada vez mais dissolvida ao buscar as verdades impossíveis. Nesta leitura atual de Kubrusly, o que ganha importância é a atenção às lições do corpo, do sensível, já que a matemática, ao contrário do que nos ensinam na escola e do que pensa Max, não se encontra na natureza.

Destacando a importância e a abrangência da poesia como um modo de compreensão do mundo, Kubrusly sinalizou o ponto de intercessão entre a arte e a matemática pura - universo com o qual Max lidava no filme, sendo um teórico de números: é na inutilidade que elas se igualam. E, claro, aproveitou para recitar um de seus poemas, pois, de acordo com ele, 'uma plateia deste tamanho, para poesia, só em dia de ciência.'

Nossa próxima sessão acontece no dia 4 de setembro, quando exibiremos o clássico Veludo azul (E.U.A., 1986), de David Lynch, seguido da palestra de James Arêas, professor do Departamento de Filosofia da UERJ, intitulada David Lynch: o pulsar do tempo. Até lá!


segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Comemore aqui!

Antecipe as comemorações do dias dos pais nessa sábado. Traga seu filho ou seu pai para assistir ao filme Pi, com direito, logo em seguida, a um “papo-cabeça” com o poeta e professor de matemática Ricardo Kubrusly. Assunto para discussão é o que não vai faltar. E o melhor: o programa é totalmente gratuito!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Filosofando com a matemática

"Na busca de enganar o tempo, o homem inventa e cria, sempre a partir de um ponto a que chegara anteriormente, montando um edifício de ideias e coisas que, por sua vez, dão origem a mais ideias e mais coisas num processo interminável de entendimento e transformação da natureza. (...) Podemos entender a matemática como sendo, de todas as explicações e pensamentos, a parte que não depende de fé. Onde não é preciso a crença para atingir o entendimento". Essas são algumas das palavras, carregadas de pensamento, que encontramos no site do professor de matemática Ricardo Kubrusly, o palestrante do Ciência em Foco de Agosto. Se você achava improvável a mistura poética e filosófica entre o mundo dos números e o das palavras, talvez esteja na hora de rever alguns conceitos...

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Um encontro possível?


A busca pela verdade, que acompanha os homens desde os tempos mais remotos, é o que move o protagonista de Pi, filme de Darren Aronofsky a ser exibido no Ciência em Foco de 7 de agosto. Max é um matemático obcecado em encontrar um padrão numérico definitivo, acreditando serem os números a língua da natureza. A crença de Max é ponto de partida para a palestra do poeta e professor de matemática Ricardo Kubrusly, que irá discutir um encontro (im)possível entre homem e máquina. O intuito é pensar como eles se cruzaram e se transformaram um no outro, permanecendo sempre em oposição: a máquina universal, de certa maneira humanizada, e o homem da ciência objetiva e tarefeira, especialista de seus nadas. Programa imperdível!