"Em meio ao bombardeio de informações que recebemos, como estabelecer o que é confiável ou não, e, sobretudo, como identificar as tentativas de manipulação a serviço de interesses poderosos, em especial econômicos? Essa, na verdade, é uma pergunta que me faço todos os dias...", Kenneth Camargo – Professor do IMS-UERJ, editor associado do American Journal of Public Health, editor da revista Physis, pesquisador do Grupo de Estudos sobre Ciência e Medicina (UERJ-CNPq) e palestrante do Ciência em Foco de julho 2012.
1) O filme O informante trata de um episódio envolvendo um produtor de TV que luta para trazer a público informações reunidas por um cientista que atuava para uma grade empresa de tabaco. Ao tomar conhecimento de decisões pouco éticas de sua empresa, o cientista se vê num perigoso conflito que pode colocar em risco sua vida. Esta sua posição arriscada diria algo a respeito da imagem do cientista hoje, no mundo globalizado? Podemos dizer que a associação da ciência com as empresas e o mercado é um fenômeno recente?


2) Em que sentido a relevância e a legitimidade atribuídas ao discurso científico atualmente, propagadas pela mídia e disseminadas no senso comum, contribuem para a manutenção de valores, hierarquias e formas específicas de relação com o mundo? Sempre foi assim? Que consequências e implicações políticas podem ser daí projetadas?

3) Ao nos situar, a partir da ficcionalização do real, em um mundo no qual a ciência se mostra a serviço de interesses particulares, quais seriam os elementos necessários (e os possíveis obstáculos) para se pensar uma ética ligada à produção de conhecimento hoje?
Acho que a principal dificuldade está na mercantilização do próprio conhecimento. Este se torna mercadoria, em várias formas, e o estabelecimento de uma postura ética nesse contexto está vinculada, a meu ver, a iniciativas de tornar o conhecimento livre e acessível. Iniciativas como o acesso aberto a artigos científicos, o software livre e aberto e mesmo como a Wikipedia (em que pesem os problemas da mesma) são o antídoto para o controle privado do conhecimento.
Antecipando o material que pretendo apresentar no debate, tenho citado com frequência uma observação de dois sociólogos da ciência, Harry Collins e Trevor Pinch, que escreveram um livro especificamente com uma abordagem crítica da medicina, e lá pelo final dizem o seguinte (tradução minha): “A ciência pode estar errada (…), mas isso não torna a visão oposta correta. Na ausência de pesquisa cuidadosa sobre a visão oposta, a ciência é provavelmente a melhor aposta. Isso é ainda mais provável se a ciência estiver continuamente sob escrutínio.”
Colins H & Pinch T. Dr. Golem: How To Think About Medicine. Chicago: The University of Chicago Press, 2005, p. 202.
5) Gostaria de lançar aos que acompanham nosso cineclube uma pergunta-síntese provocativa acerca da problemática de queira tratar em sua palestra?
Colins H & Pinch T. Dr. Golem: How To Think About Medicine. Chicago: The University of Chicago Press, 2005, p. 202.
5) Gostaria de lançar aos que acompanham nosso cineclube uma pergunta-síntese provocativa acerca da problemática de queira tratar em sua palestra?
Em meio ao bombardeio de informações que recebemos, como estabelecer o que é confiável ou não, e, sobretudo, como identificar as tentativas de manipulação a serviço de interesses poderosos, em especial econômicos? Essa, na verdade, é uma pergunta que me faço todos os dias...
6) Como conhecer mais de suas produções?
Como todo pesquisador brasileiro, tudo o que publico acaba sendo listado no meu currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/