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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Retrospectiva 2012 - Julho


Em julho de 2012, o Ciência em Foco exibiu o filme O informante (The insider - EUA, 1999), de Michael Mann, baseado na história real de Jeffrey Wigand, cientista e executivo da indústria do tabaco, que foi pressionado e ameaçado por revelar publicamente pesquisas envolvendo as consequências do fumo para a saúde. Em um cenário no qual empresários poderosos se relacionam com cientistas que distorcem dados para servirem aos interesses privados, os pilares da pesquisa científica sofrem abalos éticos, ao mesmo tempo em que se afasta a figura do cientista de sua auto-proclamada pureza.

Quem conversou conosco após a sessão foi Kenneth Camargo, professor do Instituto de Medicina Social da UERJ, que também atua como editor da revista  Physis e como editor associado do American Journal of Public Health. Kenneth trouxe reflexões que apontaram para a manipulação de fatos e a persuasão envolvida na relação entre a ciência e os interesses privados, exibindo documentos e artigos que comprovam as tentativas de criar confusão e desconfiança na opinião pública. Kenneth mostrou também a iniciativa de jornalistas que montaram um site para monitor e acompanhar as fontes que circulam nos bastidores da produção científica. Leia aqui a entrevista concedida por Kenneth Camargo, ou acesse aqui o material completo relacionado à sessão.

Quase 15 anos após a estreia do filme, as contradições envolvendo a relação da ciência com os interesses privados, bem como a questão da transparência e a livre circulação de informações relacionadas à pesquisa científica, foram novamente colocadas em evidência a partir de uma trágica consequência: a morte do programador e ativista Aaron Swartz, de 27 anos, em um aparente suicídio. Ele sofria um processo criminal desde 2011, quando fora acusado pelo governo dos EUA por compartilhar artigos científicos de acesso limitado à comunidade acadêmica, e que também eram comercializados. Leia mais aqui.

O tema da ética na pesquisa científica, como vemos, envolve múltiplos fatores, dentre os quais a informação pública desponta como face fundamental para seu acompanhamento e sua crítica, contribuindo assim com o entendimento da ciência como atividade humana, não dissociada da política, da cultura e da sociedade. Por acaso, a relação entre a ciência e as tecnologias de informação será um dos temas centrais na nossa sessão inaugural da temporada 2013, em 2 de março. Aguardem novas informações em breve.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Retrospectiva 2012 - Junho


Em junho de 2012, o Ciência em Foco apresentou o filme Árido Movie (Brasil, 2005), de Lírio Ferreira, para iniciar uma discussão que estava, naquele momento, se fazendo urgente. Estávamos no mês em que aconteceu a Rio+20, a conferência das Nações Unidas em torno do desenvolvimento sustentável. Quem conversou conosco após a sessão foi o professor da Escola de Comunicação da UFRJ, Renzo Taddei, doutor em Antropologia pela Universidade de Columbia, Nova York.

A trajetória do personagem principal do filme (um apresentador de telejornal, um homem do tempo que lidava com representações virtuais da atmosfera, defrontando-se repentinamente com a materialidade das realidades de que tratava), marcou o esforço de reconexão evocado por Renzo. A partir de um olhar sobre diferentes perspectivas que envolvem o clima e suas representações, foi comentado o processo de abstração que a vida sofre quando se buscam explicações e mecanismos políticos de intervenção desconectados da realidade complexa que lhe é própria.

A importante entrevista concedida por Renzo pode ser lida aqui, e os interessados também podem ouvir o podcast da palestra. Quem quiser relembrar o material de divulgação, ver fotos do dia e maiores detalhes sobre a sessão, pode conferir todos os links referentes ao mês de junho de 2012. Aproveitem para disseminar estas discussões pelas redes sociais e possíveis interessados.

Se as conclusões a que chegaram os líderes mundiais na Rio+20 não convenceram, diante das expectativas envolvendo a cooperação mundial para a melhoria de problemas sociais, a conversa que o Ciência em Foco gerou se prolonga e permanece atual, nos convidando a repensar as nossas relações com o ambiente, a ciência, a cultura e a sociedade.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Retrospectiva 2012 - Maio


Em maio de 2012, o Ciência em Foco proporcionou uma experiência cinematográfica singular. Ao mesmo tempo em que os espectadores se aproximavam de uma realidade aparentemente distante, eles também se tornavam cúmplices da própria produção do filme que era exibido. Passado o estranhamento inicial, entendemos logo que não estavávamos diante de um filme acabado, organizado de antemão, mas sim de um filme em processo, cujo acabamento era o próprio registro de sua realização em comunidade.

O filme exibido foi As hiper mulheres, realizado pelos cineastas Leonardo Sette e Takumã Kuikuro, e pelo antropólogo Carlos Fausto, professor do Programa de Pós-Graduação em Antropologia e Sociologia da UFRJ. Quem conversou com o público após a sessão foi o professor do Departamento de Cinema e Vídeo da UFF, Cézar Migliorin. Ele evocou a história do cinema documentário e sua aproximação com a ciência etnográfica, para enfatizar a mudança de perspectiva com relação à realidade documentada nos filmes.

De algum modo que somente a arte consegue articular, as características do documentário contemporâneo lançam questionamentos com relação às formas pelas quais percebemos e entendemos o outro, a realidade e a nós mesmos. Assim como o documentário questiona a naturalidade da realidade filmada, o conhecimento e a ciência, ao assumirem a sua dependência da imaginação, conjugam-se no próprio processo comum de criação, na produção coletiva do mundo e da realidade.

O resumo do que foi discutido na sessão pode ser lido aqui, onde também podem ser visualizadas algumas fotos do dia. Para quem quiser ouvir a palestra do Cezar Migliorin, pode acessar o nosso podcast. Aproveite para navegar por todas as postagens relacionadas à sessão no link referente a Maio/2012, localizado à direita no nosso blog.

Ainda em 2012, o cineasta Leonardo Sette participou do Festival de Cannes, que selecionou seu filme “Porcos Raivosos”, co-dirigido por Isabel Penoni, para a mostra da Quinzena dos Realizadores.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Retrospectiva 2012 - Abril


Em abril de 2012, o Ciência em Foco apresentou o filme Sem limites (Limitless - E.U.A., 2011), de Neil Burger, estrelado por Bradley Cooper, ator atualmente indicado ao Oscar pelo filme Silver Linings Playbook (E.U.A., 2012). Quem conversou com o público após a sessão foi o psiquiatra e professor Benilton Bezerra Junior, do Instituto de Medicina Social da UERJ, com a palestra Do cultivo da interioridade à biorregulação da experiência. Sua fala situou questões em torno das novas tecnologias ligadas às inovações do campo da psiquiatria, que seriam responsáveis, no cenário contemporâneo, por uma transformação da própria condição humana. Alterando condições existenciais que até pouco tempo nos definiam, seria possível pensar hoje em uma reconfiguração do humano?

Benilton analisou esta mudança a partir da imagem do indivíduo delineada na cultura contemporânea: a crescente importância atribuída ao corpo e à performance, tanto motora quanto cognitiva, em detrimento do cultivo da interioridade, ligada aos afetos e aos aspectos psicológicos do indivíduo. Esta mudança na subjetividade nos trouxe perspectivas para pensar acerca de determinadas posições da medicina e da psicofarmacologia, como a distinção entre o tratamento e o aprimoramento, a relação entre patologia e normalidade e, enfim, a distinção entre natureza e cultura. Um resumo com fotos da sessão pode ser encontrado aqui, e recomendamos também a entrevista concedida por Benilton, disponível na nossa seção de Entrevistas.

O filme, uma ficção-científica bastante recente, suscitou questões que se tornam a cada dia mais atuais - e menos fictícias. Quem acompanha as notícias de ciência e saúde nos grandes jornais deve se defrontar, não raramente, com inúmeras reportagens que veiculam resultados de pesquisas que têm o cérebro como protagonista. Um exemplo recente pode ser encontrado aqui. A maioria delas se dedica à localização de determinados sentimentos e comportamentos em áreas específicas do cérebro. Estas reportagens devem ser encaradas com cautela, evitando conclusões precipitadas que podem dar margem à criação de verdades acerca da experiência de cada um (verdades que podem não passar de ficções). De que forma este tipo de pesquisa, crescente no âmbito da comunidade científica, impulsiona a criação de novos diagnósticos e a reconfiguração do modo pelo qual nos entendemos humanos? Quem quiser ouvir a palestra e reviver o debate, pode acessá-la em nosso podcast. Todas as informações sobre a sessão também podem ser acessadas diretamente no link referente a abril de 2012, aqui no blog.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Retrospectiva 2012 - Março


O ano começou. O rolo de 2013 já está girando no projetor e nós estamos preparando uma temporada iluminada, para deixar todos os nossos frequentadores ansiosos por mais. Além disso, este ano teremos o lançamento de nosso livro, a segunda publicação do Ciência em Foco, que já se encontra "no forno". Quem ainda não conhece nosso primeiro livro, é só clicar aqui. Enquanto isso, que tal relembrarmos a temporada passada? Que tal reativarmos os filmes, os palestrantes e as questões que contribuíram para um ano repleto de discussões e questionamentos? Neste dois primeiros meses do ano, faremos uma retrospectiva da temporada do ano passado, retomando o que foi vivenciado e aquecendo os motores para o ano que se inicia.

Nossa primeira sessão de 2012 apresentou o filme Entre os muros da escola (Entre les murs), de Laurent Cantet, o grande vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes, em 2008. Quem conversou conosco após a sessão foi Walter Kohan, professor do Programa de Pós-Graduação em Educação da UERJ. Ele nos concedeu uma entrevista, que pode ser acessada nos links localizados à direita, aqui no nosso blog. Além disso, no link da sessão de Março/2012, podem ser visualizadas fotos do dia e um resumo das questões que foram levantadas e discutidas. Lembre-se que o áudio da palestra também já está disponível em nosso podcast.

No Festival do Rio do ano passado, os cinéfilos puderam conferir o novo filme do diretor Laurent Cantet, Foxfire, que também lança um olhar sobre o universo dos jovens, só que desta vez em Nova York, na década de 1950, a partir da adaptação de um romance de Joyce Carol Oates. São interessantes os paralelos que podem ser traçados entre a época atual e a década mostrada no filme, especialmente se comparados aos adolescentes de Entre os muros da escola. Além deste filme, Cantet também participou de um dos segmentos do longa-metragem coletivo Sete dias em Havana (7 días en La Habana), também exibido no festival.

Devido à agenda de alguns convidados do ano passado, não foi possível obter algumas entrevistas, mas ressaltamos que continuaremos criando meios de interação prévia com nossos palestrantes aqui no blog, seja na forma de entrevistas ou outras colaborações. Também faremos, ao longo do mês, uma chamada para um concurso cultural valendo um exemplar do nosso primeiro livro, para todos os nossos leitores, frequentadores e amigos do cineclube. Fiquem ligados! No próximo post, na semana que vem, reacenderemos a discussão trazida em abril, que segue atualíssima. Boas lembranças, e até a próxima! Como escreveu o poeta Waly Salomão, "a memória é uma ilha de edição."