sexta-feira, 8 de julho de 2011

Uma palavra vale mais do que mil imagens


Fahrenheit 451, título do filme que é atração do cineclube Ciência em Foco de 6 de agosto, faz uma referência à temperatura em que livros de uma sociedade totalitária são queimados. Nela, as crianças aprendem que livros são perigosos e não devem ser lidos e os adultos não se questionam sobre o que fazem. Tudo corre bem até que uma jovem da resistência pergunta a um bombeiro responsável por atear fogo em livros se ele já havia lido um dos milhões que queimou.
Inspirado no livro homônimo de Ray Bradbury e tido como um dos melhores filmes de ficção científica de todos os tempos, Fahrenheit 451 é ponto de partida para a palestra da filósofa e ex-integrante do programa da GNT Saia Justa, Marcia Tiburi. Será discutida a perda da subjetividade pela perda da palavra e o comprometimento dos afetos e da compreensão do mundo em função da fascinação pelas imagens. Qualquer semelhança com a sociedade em que vivemos não é mera coincidência.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

A voz feminina e o estranhamento da ficção

No último sábado, o filme O conto da aia, de Volker Schlöndorff, foi exibido no Ciência em Foco, abrindo a conversa com a professora de Literatura Inglesa da UERJ, Lucia de La Rocque, pesquisadora do IOC/Fiocruz e pós-doutora em Antropologia, Gênero e Ciência pela UFRGS. Sua fala, intitulada Distopia onde a voz feminina não tem vez, lançou olhares sobre o romance de Margaret Atwood, comentando a adaptação de Schlöndorff e de que forma a ficção científica feminista nos força a pensar sobre questões muito próximas de nós.

Lucia iniciou sua fala comentando a respeito da autora canadense, focando-se no reconhecimento que o romance recebeu. Comentando a distopia trazida pela representação do futuro no romance e no filme, Lucia salientou o fato de a supressão de liberdade estar ligada também à supressão de sentimentos, que se seguiu às guerras e foi propagada pela então atual autoridade fundamentalista cristã.

Foram trazidos à discussão alguns ecos do contexto sócio-histórico do romance e do filme, como exemplos do conservadorismo estadunidense da era Reagan, que defendia a negação das liberdades civis às mulheres e seu retorno às funções básicas da reprodução e às funções do lar. A ficção do filme também estabelece ressonâncias com outros tipos de práticas associadas a alguns fundamentalismos religiosos, assim como com o período puritano da Nova Inglaterra do século XVII. A ausência de nomes próprios às mulheres, sempre relacionados aos do marido, poderia ser considerada uma metáfora para práticas patriarcais das sociedades ocidentais.

A partir destas relações, é possível perceber algo da potência da ficção científica feminista: a possibilidade de se criar sociedades e situações alternativas às que existem na realidade, que nos fornecem o afastamento adequado para que percebamos justamente as questões associadas a este estranhamento. No caso, o filme nos permite abordagens que colocam em foco temas como a maternidade e a reprodução. Lucia comentou estes aspectos em relação com elementos contemporâneos, como a mercantilização do corpo feminino associado também às biotecnologias reprodutoras. O atual crescimento de clínicas de fertilização e reprodução assistida, o descarte de embriões em contradição com os movimentos contra o aborto, são alguns pontos que podem ser pensados e discutidos à luz da distopia de Atwood/Schlöndorff.

E as distopias continuam em nossa próxima sessão, que acontece no dia 6 de agosto. Exibiremos o clássico de François Truffaut, baseado no livro de Ray Bradbury, Fahrenheit 451 (Reino Unido, 1966). Teremos a honra de receber a filósofa e escritora Marcia Tiburi, doutora em Filosofia pela UFRGS e professora do programa de pós-graduação em Educação, Arte e História da Cultura da Universidade Mackenzie, SP, com a palestra Entre a escrita e a imagem. Marcia publicou vários livros, dentre eles, Filosofia em comum, Filosofia brincante, e os recém-lançados Filosofia pop e Olho de vidro - o estado de exceção da imagem. Não vai perder, não é?

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Vem pra cá, vem pra cá!


Amanhã é sábado, o primeiro do mês, dia de cineclube, dia de Ciência em Foco, dia de Ciência com cinema, dia de troca de ideias. Amanhã é sábado, o primeiro do mês de julho, dia de Lucia de La Rocque, de O conto da aia, de pensar o feminino, a ficção científica, as minorias historicamente oprimidas, a literatura e muitas outras coisas mais. Hoje, tem o trailer (só do filme). Aceita o convite?